Cláudio Fonteles vê 'atentado contra a ordem constitucional' em fala de Eduardo sobre AI-5

Por Redação em 04/11/2019 às 07:05:56


Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-procurador-geral da República Cl√°udio Fonteles avaliou como "atentado contra a ordem constitucional e o estado democr√°tico" a declara√ß√£o do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), sobre o Ato Institucional 5 (AI-5).

Nesta quinta (31), foi divulgada uma entrevista na qual Eduardo disse que, se a esquerda "radicalizar", a resposta do governo pode ser um "novo AI-5". Eduardo é filho do presidente Jair Bolsonaro.

Depois, em outra entrevista, Eduardo disse que "talvez tenha sido infeliz" na declaração, acrescentando que não existe "qualquer possibilidade" de um novo AI-5.

"A inviolabilidade dos parlamentares, prevista no caput do artigo 53 da Constituição Federal, não resguarda o parlamentar quando a sua conduta, tal sucede no caso, significa atentado contra a ordem constitucional e o estado democrático", afirmou Fonteles.

"Tanto assim é que a nossa Constitui√ß√£o Federal destaca em inciso próprio - inciso XLIV do artigo 5 - essa realidade dizendo constituir-se em crime inafian√ß√°vel e imprescritível", acrescentou.

Como informou a colunista do G1 Andréia Sadi, a atual cúpula da PGR avalia que a declara√ß√£o de Eduardo est√° protegida pelo artigo 53 da Constitui√ß√£o. O texto diz que parlamentares s√£o "inviol√°veis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opini√Ķes, palavras e votos".

Na opini√£o de Fonteles, contudo, qualquer alus√£o que se fa√ßa à utiliza√ß√£o de instrumentos que amea√ßam, de alguma forma, a democracia, o parlamentar n√£o deve ficar imune.

"Por atingir o √Ęmago do Estado Democr√°tico de Direito, qualquer alus√£o que se fa√ßa à utiliza√ß√£o de instrumentos, que fulminam de morte a Democracia, tal sucede com a edi√ß√£o, sempre arbitr√°ria, de atos institucionais, n√£o se abriga sob o manto da imunidade substancial", declarou o ex-procurador-geral.

Fonte: G1

Coment√°rios