Ex-governador da PB Ricardo Coutinho √© alvo de nova den√ļncia do MPPB com base na 'Calv√°rio'

Por Redação em 22/05/2020 às 15:46:33


Ricardo é acusado de ser dono oculto de empresa que se tornou dona de 49% do Lifesa. Ex-procurador-geral e ex-secret√°rio de saúde, além de irm√£o e cunhada de Ricardo também, foram denunciados. Ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho

Andrê Nascimento/G1/Arquivo

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) protocolou no Tribunal de Justi√ßa, nesta sexta-feira (22), uma nova denúncia contra o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) e outras sete pessoas investigadas pela Opera√ß√£o Calv√°rio. Conforme o texto da nova denúncia, Ricardo é apontado como dono oculto de uma empresa que se tornou dona de 49% do Laboratório Industrial Farmacêutico do Estado da Paraíba (Lifesa).

OPERA√á√ÉO CALV√ĀRIO: saiba como foram todas as fases

A denúncia foi elaborada pelo Grupo de Atua√ß√£o Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do MPPB, com base na dela√ß√£o feita pelo ex-comandante da Cruz Vermelha do Brasil, Daniel Gomes, em colabora√ß√£o premiada firmada com a Justi√ßa.

A defesa de Ricardo Coutinho informou na tarde desta sexta-feira que j√° recebeu a denúncia, mas que só vai se pronunciar sobre o assunto após analisar o documento.

Além de Ricardo Coutinho, também foram denunciados por suposta participa√ß√£o no esquema que teria desviado recursos da saúde na Paraíba o irm√£o de Ricardo, Coriolano Coutinho, e a esposa dele, Amanda Rodrigues. Também s√£o alvos da denúncia o ex-procurador-geral da Paraíba Gilberto Carneiro, o ex-secret√°rio de saúde Waldson de Souza e os empres√°rios Daniel Gomes, Maurício Rocha Neves e Aluísio Freitas de Almeida Júnior.

Conforme o MPPB, o plano dos acusados era capitalizar os integrantes da suposta empresa criminosa, tanto para o enriquecimento ilícito de autoridades quanto para a manuten√ß√£o da estrutura de poder. Na denúncia, o órg√£o pede a condena√ß√£o dos suspeitos por corrup√ß√£o passiva e ativa e lavagem de dinheiro, além de repara√ß√£o pelos danos ao er√°rio.

MPPB protocolou denúncia contra Ricardo Coutinho nesta sexta-feira

Krystine Carneiro/G1

Como funcionava o esquema

De acordo com o texto da denúncia, Daniel Gomes da Silva teria sido uma das pe√ßas-chave na montagem do esquema para a apropria√ß√£o da empresa pública. Na dela√ß√£o, ele disse que teria recebido com surpresa o interesse de Ricardo Coutinho em participar diretamente do esquema, que seria agenciado por Coriolano.

Com isso, segundo a dela√ß√£o, foi acertada a utiliza√ß√£o da empresa para a compra de quase 50% do capital social do Lifesa, restando 5% de todo o faturamento para o ex-governador, ent√£o gestor da Paraíba.

Daniel Gomes, empresário delator da Operação Calvário

Reprodução/TV Cabo Branco

O MPPB aponta que com o suposto esquema montado, a Lifesa passaria a celebrar contratos de fornecimento, seja por revenda ou fabrica√ß√£o própria, de medicamentos a entidades públicas de presta√ß√£o do servi√ßo de saúde, controladas por Organiza√ß√Ķes Sociais, entre elas a Cruz Vermelha Brasileira e o Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (IPCEP).

O órg√£o diz ainda que, para viabilizar o esquema, teria participado o ex-procurador-geral da Paraíba e o ex-secret√°rio de saúde, além da cunhada de Ricardo Coutinho, que chegou a comandar o laboratório por algum tempo. Eles seriam respons√°veis pela manuten√ß√£o da opera√ß√£o sem transtornos, tratando da quest√£o burocr√°tica.

Ainda conforme o MPPB, Coriolano Coutinho teria pedido para que Denise Pahin e o filho dela, Breno Pahin, também investigados na Calv√°rio, ficassem sob o comando da empresa, funcionando como "laranjas" na opera√ß√£o.

A denúncia diz ainda que o laboratório entrou em funcionamento em 2016, sendo que em 2018 faturou cerca de R$ 6 milh√Ķes, com expectativa de duplica√ß√£o do faturamento em 2019, quando também estava prevista a distribui√ß√£o do lucro entre os sócios.

Fonte: G1 Paraíba

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